Os efeitos especiais não começam na era digital, como muitos pensam hoje em dia. Na verdade, eles são tão antigos quanto o próprio cinema. Ou melhor, o cinema sempre foi, em algum grau, um efeito especial, uma trucagem. A era digital potencializou técnicas analógicas desenvolvidas nas décadas anteriores.
Vejam mais abaixo, por exemplo, dois filmes do cara que é considerado o pai dos efeitos especiais no cinema, Georges Méliès. Artista experiente do teatro popular francês, Méliès foi um dos primeiros (mas não o único) a perceber como a manipulação do dispositivo cinematográfico (o cinematógrafo dos irmãos Lumière) podia aumentar o impacto das suas apresentações de ilusionismo.
Méliès foi um mestre do uso de dois grandes princípios dos efeitos especias:
- O “filmar-parar-mudar-filmar“, que permite o surgimento ou desaparecimento de elementos de cena ou personagens.
- A “superposição de imagem“, efeito fotográfico baseado na re-exposição do filme negativo ainda dentro da câmera em momentos distintos e de modo controlado. Aliado ao uso de máscaras ou explorando áreas escuras do cenário era possível, por exemplo, a duplicação do ator no mesmo plano. Sem o emprego de máscaras, permitia efeitos de transparência, como imagens fantasmagóricas.
Mostro abaixo dois notáveis trabalhos. O primeiro é o clássico absoluto A viagem à Lua (1902). O segundo é o surpreendente O Melomaníaco (1903). Em ambos fica evidente como, além do uso dos efeitos, Méliès abusava do planejamento e da coreografia de movimentos para controlar suas produções.
